segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Filme nacional: Uma professora muito maluquinha

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De um lado, uma professora "sem classe" interpretada pela atriz norte-americana Cameron Diaz; do outro, uma "muito maluquinha" vivida pela brasileira Paola Oliveira. Duas representações bem diferentes de educadores, de alunos e do ensino básico. Criadas pelo cinema, mas de acordo com circunstâncias e objetivos distintos. Justamente por isso, ambas fornecem matéria-prima para identificar mais uma vez alguns dos estereótipos sobre a escola em circulação na sociedade.
A comédia norte-americana Professora sem classe estreou nos cinemas brasileiros no final de agosto, enquanto a produção infantojuvenil brasileira Uma professora muito maluquinha tem lançamento previsto para 7 de outubro. Embora o primeiro seja muitas vezes agressivo e vulgar, e o segundo prefira um ar de inocência, os dois coincidem ao recriar a escola como um espaço controlado por adultos aborrecidos e, em alguns casos, francamente debiloides.
Elizabeth, a personagem de Cameron Diaz em Professora sem classe, volta à escola em que odiava trabalhar, em uma pequena cidade do Estado de Illinois, depois de ser deixada pelo noivo milionário. Para enrolar seus alunos de sétima série, ocupa as aulas com a exibição de filmes. Ironicamente, a seleção inclui títulos norte-americanos populares sobre educadores que transformam positivamente a vida de suas turmas: O preço do desafio (1988), Meu mestre, minha vida (1989) e Mentes perigosas (1995).
Sua postura muda, no entanto, quando descobre que o dinheiro para fazer um implante de silicone nos seios - "instrumento" para fisgar outro noivo milionário - pode vir de um prêmio ao professor cujos alunos apresentem o maior salto no desempenho em um exame estadual. Determinada a fazer de sua turma um exemplo, Elizabeth procura meios para incrementar o aprendizado e chega a um modo ilícito, mas seguro, de obter bons resultados no exame.
Como a personagem é caracterizada como alguém sem o menor compromisso com o ensino, seu comportamento pouco tem a ver com projeções sobre professores. Não é o caso, porém, do diretor e dos colegas de Elizabeth na escola - cada um deles inepto à sua maneira, e todos com evidentes problemas de sociabilização. Trata-se apenas de uma comédia hollywoodiana para consumo de massas, e não de um estudo sobre a profissão, mas o êxito do filme (cerca de US$ 100 milhões arrecadados nos Estados Unidos) sugere que algo ali corresponde às experiências do espectador e às suas projeções.
Versão brasileiraA ação de Uma professora muito maluquinha se ambienta no interior de Minas Gerais, durante a 2ª Guerra Mundial, e corresponde em linhas gerais aos personagens e situações do livro homônimo de Ziraldo, publicado em 1995. O autor assina o roteiro e faz uma participação especial, muito breve, como o gerente da única sala de cinema do lugar. Natural, portanto, que a adaptação - dirigida por André Alves Pinto e César Rodrigues - procure reproduzir o ar singelo e nostálgico do livro.
Sob a desconfiança da diretora e de quase todas as professoras do grupo escolar da cidade, a inexperiente Catarina (Paola Oliveira) assume uma turma de crianças recém-alfabetizadas. Para tornar as aulas mais divertidas e os alunos envolvidos pelos temas, ela passa a usar estratégias que parecem estranhas às colegas, muito conservadoras (e abobadas como as de Professora sem classe). Além disso, para aumentar o incômodo, Catarina é muito bonita, exala simpatia e desperta o interesse de diversos rapazes.
Como no livro de Ziraldo, ela é uma precursora de procedimentos hoje corriqueiros para aumentar o interesse das crianças pelo conhecimento e para conectá-lo ao seu cotidiano. A aula de geografia, por exemplo, é dada ao ar livre, durante um piquenique no alto de uma colina com vista para um lago. Outra de suas inovações é levar a turma para assistir a um longa-metragem hollywoodiano sobre Cleópatra que incrementa os estudos sobre o Egito.
Casa de ferreiro, espeto de ferro mesmo: a produção de Uma professora muito maluquinha oferece, no site do filme (endereço abaixo), uma "cartilha pedagógica", para auxiliar os professores interessados em explorar o universo de Ziraldo com seus alunos. No lugar de um "material didático prescritivo", a autora da cartilha, Débora Garcia, acredita "que será muito mais proveitoso deixar-se provocar pelo espírito inquieto de Catarina, pela ternura de seus atos, pelo seu comprometimento com a educação em seu sentido mais amplo e pela crença de que é possível aprender, sempre".
Saiba mais: www.professoramaluquinha.com.br
Curta-metragem discute uso da voz
Realizada pelo Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP) e pelo Centro de Estudos da Voz, a pesquisa Panorama epidemiológico da voz do professor do Brasil deu origem ao curta-metragem Minha voz minha vida, com lançamento previsto para outubro. No filme, o diretor e roteirista Deivison Fiuza recorre a três personagens fictícios que foram inspirados em perfis recorrentes de educadores: uma professora veterana em consulta médica depois de perder a voz, um colega que não percebe gritar o tempo todo, inclusive em casa, e um outro que toma cuidados para preservar as cordas vocais.
Com duração de 24 minutos, o filme promove contrastes discretos, mas claros, entre as práticas desejáveis - trabalho de aquecimento vocal antes do início do trabalho, tomar água durante a aula - e as condenáveis, como falar mais alto para se fazer ouvir e tomar café. Depois do lançamento, Minha voz minha vida estará disponível no site do Sinpro-SP, que também atenderá a pedidos para envio de cópias gratuitas.
Fonte|: http://revistaeducacao.uol.com.br/formacao-docente/174/professor-nas-telas-236377-1.asp

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