segunda-feira, 3 de outubro de 2011

As Teorias Pós-Críticas

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AS TEORIAS PÓS-CRÍTICAS

Diferença e Identidade: o Currículo Multiculturalista



As Relações de Gênero e a Pedagogia Feminista

A crescente visibilidade do movimento e da teorização feminista forçou as perspectivas críticas em educação a concederem importância crescente ao papel do gênero na produção de desigualdade.
O próprio conceito de “gênero” foi utilizado em 1955, pelo biólogo John Money para dar conta dos aspectos sociais do sexo. Até então a palavra era designar o “sexo” dos substantivos. “Gênero” opõe-se, então a “sexo”: enquanto este fica reservado aos aspectos biológicos de identidade sexual, o termo “gênero” refere-se então aos aspectos construídos do processo de identificação sexual.
Na crítica do currículo, a utilização do conceito de gênero segue uma trajetória semelhante à da utilização do conceito de classe. As perspectivas críticas a cerca do currículo tomaram uma nova dimensão a partir do momento que este deixa de levar em consideração o papel do gênero e da raça no processo de produção e reprodução de desigualdade. O feminismo mostra que o poder da sociedade ainda esta entrelaçado ao patriarcado, ocorrendo ainda uma profunda desigualdade dividindo homens e mulheres, onde estes se apropriam de recursos simbólicos e materiais da sociedade.
A análise da dinâmica de gênero em educação esteve preocupada, a princípio com as questões de acesso. Assim, com o nível de educação das mulheres eram mais baixos, os acessos aos recursos educacionais, as matérias e disciplinas eram monopolizados pelo círculo masculino. Questionavam-se os estereótipos ligados ao gênero como responsáveis pela relegação das mulheres a certos tipos inferiores de profissões e currículos. O currículo educacional refletia e reproduzia esses estereótipos na sociedade mais ampla. A literatura crítica analisou matérias curriculares, que reforça essa sistemática.
Os estereótipos e os preconceitos de gênero eram internalizados inconscientemente pelos professores e professoras que esperavam futuros diferentes para meninos e meninas. Essas expectativas acabavam determinando as futuras carreiras reproduzindo as desigualdades sociais.
Na segunda fase, a ênfase desloca-se do acesso para o quê do acesso. Trata-se de transformar o acesso as instituições e ao conhecimento, refletindo os interesses e as experiências das mulheres.
As analises femininas enfatizam que o mundo social está feito de acordo com os interesses e as formas masculinas de pensamento e conhecimento.
Os arranjos sociais e as formas de conhecimento são aparentemente humanos. Refletem a historia e a experiência do ser humano em geral, sem distinção de gênero. A análise feminina então questiona esta aparente neutralidade do mundo social, já que a sociedade está feita de acordo com as características masculinas.
A perspectiva feminista implica numa reviravolta epistemológica, amplia o insight[1], de que a epistemologia é sempre uma questão de posição, dependendo do contexto em que socialmente estou, tenho conhecimento de certas coisas ou não. Agora a questão é de perspectiva. A epistemologia nunca é neutra, reflete sempre a experiência de quem a conhece. Apenas num concepção que separa quem conhece daquilo que é conhecido é que pode conceber um conhecimento objetivamente neutro.
O currículo oficia valoriza as características masculinas refletem as experiências e interesses masculinos, desvalorizando as conexões, ligações, intuições, e outras características e interesses das mulheres. Uma solução seria a construção de currículos que refletissem de forma equilibrada, tanto experiências femininas quanto masculinas.
Uns grupos de feministas ligadas à educação advogam um currículo que inclua características feministas por considerarem altamente desejáveis do ponto de vista humano. Outras análises argumentam que enfatizar essas características, reforça estereótipos que relegam as mulheres papéis inferiores.
A introdução do conceito de gênero na teoria feminista teve o mérito trazer a discussão o caráter relacional das relações entre os sexos. Não somente as mulheres são vistas como problemas, mas os homens também, já que estão no pólo de poder da relação. Essa discussão coloca também em questão os conceitos de masculinidade e sua posição na sociedade e no currículo.
Estudos desenvolvidos nos Estados Unidos, conhecido como “Estudos da Mulher”, uma preocupação com a pedagogia feminista. Tem algumas peculiaridades: foi desenvolvida na universidade, centrando seus estudos em questões pedagógicas ligadas ao ensino universitário de temas feministas e de gênero; como uma prática que se desenvolvia nos cursos e aulas dedicadas ao feminismo e ao gênero, centrando na questão da pedagogia.
Existe a preocupação em desenvolver formas de ensino que reflitam os valores feministas e que possam formar contraponto às práticas pedagógicas tradicionais. Procura construir um ambiente de aprendizagem que valorize o trabalho coletivo, comunitário e cooperativo, facilitando o desenvolvimento de uma solidariedade feminina, em oposição ao espírito de competição e individualismo.
O currículo é um artefato de gênero, um artefato que ao mesmo tempo, corporifica e produz relações de gênero.

O Currículo como Narrativa Étnica e Racial

As relações de desigualdade e de poder na educação e no currículo não podem ficar restritas as classes sociais. Tornou-se necessário levar em conta as desigualdades educacionais, centradas nas relações de gênero, raça e etnia, assim como descrever e explicar as complexas inter-relações entre as diferentes dinâmicas de hierarquização social.
Primeiramente, as questões centradas eram de acesso à educação e ao currículo. Estava em questão analisar os fatores do fracasso escolar de crianças e jovens pertencentes a esses grupos minoritários. Algumas análises concentravam nos mecanismos sociais e institucionais, porém não questionava-se o tipo de conhecimento que era ofertado no currículo pertencentes àqueles grupos.
A partir das análises pós-estruturalistas é que o currículo passa a ser problematizado, assim como os conceitos de “raça” e “etnia”.
A identidade étnica e racial é, desde o começo, uma questão de saber e poder. Em geral, reserva-se o termo “raça” para identificações baseadas em caracteres físicos, e o termo “etnia” para identificações baseadas em caraterísticas supostamente culturais. Devido as dificuldades desta distinção, os dois termos tem sido usados de forma equivalente.
Diferença e identidade só existem numa relação mútua dependência. A diversidade tampouco é um fato ou uma coisa. Assim, ela é o resultado de um processo relacional – histórico e discursivo – de construção da diferença.
É através do vínculo entre conhecimento, identidade e poder que os temas da raça e da etnia ganham seu lugar na teoria curricular.
O currículo é um texto racial. A questão da raça e etnia não é simplesmente um tema transversal: ela é uma questão central de conhecimento, poder e identidade.
Uma perspectiva crítica buscaria incorporar ao currículo, adaptar aquelas estratégias de desconstrução das narrativas e das identidades nacionais, étnicas e raciais. Buscar lidar com a questão da diferença como uma questão histórica e politica, questionando a diferença e a diversidade.
O currículo nesta perspectiva evitaria reduzir o multiculturalismo a uma questão de informação, deixando de ser folclórico para se tornar político; tratar a questão do racismo de forma ampla, deixando de lado a visão do racismo como uma questão de preconceito individual. O racismo é parte de uma matriz mais ampla de estruturas institucionais e discursivas que não podem ser reduzidas a atitudes individuais. Sem ser terapêutico, um currículo anti-racista não pode deixar de ignorar a psicologia profunda do racismo. O racismo é uma descrição falsa da verdadeira identidade que ele descreve de forma distorcida. Na critica cultural não se trata de uma questão de verdade e falsidade, mas de uma questão de representação que não pode ser desligada de questões de poder.
Um currículo crítico permitiria deslocar a ênfase de uma preocupação realista com a verdade para uma preocupação política com as formas pelas quais a identidade é construída através da representação; deveria evitar uma abordagem essencialista da questão da identidade étnica e racial.
Para a perspectiva crítica, não existe identidade fora da história e da representação.
Grupo 4: Dalva E.A. dos Santos e Fátima V.L.S. dos Santos


Referência

THOMAS, Tadeu Silva. Documentos De Identidade – Uma Introdução Às Teorias De Currículo. 3ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

Dicionário Informal. Disponível em:







[1] a capacidade de entender verdades escondidas etc., especialmente de caráter ou situação" portando um sentido igual a "discernimento" ou "a capacidade para discernir a verdadeira natureza de uma situação", o ato ou o resultado de alcançar a íntima ou oculta natureza das coisas ou de perceber de uma maneira intuitiva. Disponível em: http://www.dicionarioinformal.com.br/definicao.php?palavra=insight&id=1951

Um comentário:

  1. As gurias estão de parabéns pelo trabalho, pois com as imagens ficou mais fácil de entender!

    Yulli

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